Aspectos históricos da trajetória da Rádio Juazeiro Danilo Duarte1 Jacqueline Santos2 Resumo: 

O artigo relata a história da Radio Juazeiro no cenário da imprensa juazeirense e tem como finalidade narrar e documentar a trajetória do veiculo de comunicação desde seu surgimento, em 1941, até sua apropriação pela família Benevides (atuais administradores), além de citar profissionais e programas que tiveram mais destaque nesse período. A pesquisa foi baseada em entrevistas feitas pelos autores do artigo, livros, além de consultas a outras entrevistas e artigos. Devido a pesquisa, tornou-se possível obter informações sobre a história da imprensa da região e conhecer a trajetória de um meio de comunicação de grande influência na sociedade sanfranciscana. PALAVRAS-CHAVE: Radio Juazeiro; Osvaldo Benevides; História da Imprensa; Ditadura; Profissionais da Rádio; Vale do São Francisco

Este artigo apresenta aspectos da trajetória da Rádio Juazeiro, com ênfase a partir do período em que a mesma passou a ser administrada pela família Benevides (1971), demonstrando seu processo de criação, legalização e desenvolvimento até os dias atuais. Serão tratadas, também, as mudanças que ocorreram na rádio durante seus longos 57 anos de existência e as interferências proporcionadas pela ditadura militar, de acordo com relatos orais. Faremos uma breve explanação sobre a história do veiculo que se confunde com história do jornalismo empresarial na região. Para isso, foi utilizado como fonte de pesquisa o livro do jornalista Wilson Dias (1982), além de entrevistas concedidas por Osvaldo Benevides e pelo radialista Geraldo Messias aos autores deste artigo. Contar de forma eficaz um a história de um meio de comunicação de grande influência na sociedade, como é o caso da Rádio Juazeiro, só se torna possível quando abordamos o que a compõe. Deste modo, revelaremos os nomes de alguns profissionais de

destaque e os respectivos programas. Além de suas relações com a sociedade juazeirense e como a rádio se encontra hoje.

A história da Rádio Juazeiro começa quando os mercadores de canal de rádio Adys Casalino e Floriano Pinto da França Ferreira adquiriram a outorga do então Ministério dos Correios e Telégrafos, através da portaria nº 604, de 21 de junho de 1946, e a vendeu aos comerciantes Joaquim Borges dos Santos e Camerino Muniz. A compra foi realizada de maneira informal sem qualquer tipo de documentação que comprovasse o negócio. Devido a essa negociação mal resolvida, a rádio esteve fechada até 1959, quando o ex-prefeito Américo Tanuri, juntamente com o seu sócio, o jornalista Clésio Rômulo Athanásio compraram a aparelhagem e a puseram no ar em 1960. Posteriormente, a sociedade se desfez e Américo Tanuri revendeu a rádio para o então prefeito, Joca de Souza Oliveira. Nas mãos de Joca de Souza, a rádio permaneceu funcionando na Rua da Apolo. Em 23 de março de 1971 a Rádio Juazeiro foi vendida para a família de Osvaldo Benevides e Marta Luz. Osvaldo começou a trabalhar como comunicador na Promocine, uma agência de publicidade que exibia propaganda antes dos filmes no Cinema de Juazeiro, além de ter prestado serviço na Emissora Rural. Depois de ter sido dispensado pelo Padre cearense Mansueto de Lavour, à época diretor da emissora petrolinense, o comunicador decidiu negociar a concessão da rádio para competir com o padre. Entrou em contato com Joca de Souza para negociar a rádio que, na época, estava falida e ilegal, técnica e juridicamente. Na trajetória da rádio, o veículo sofreu ameaças de empastelamento por conta da severa fiscalização promovida pela Ditadura Militar que regia o país na época. O então proprietário da Rádio Juazeiro, Joca de Souza, pretendia se desfazer do empreendimento, então a vendeu para Osvaldo Benevides. A negociação ocorreu sem nenhum tipo de documento oficial, o único documento recebido foi um papel comum contendo o valor e a data da venda. Já sob a direção da família Benevides, a empresa recebeu uma nova visita de três oficiais das forças armadas com o objetivo de fechá-la. Essa foi uma das principais dificuldades enfrentadas por Osvaldo que o estimularam ainda mais a concretizar seu sonho. Segundo Benevides (2010) Os não que são impostos a vida da gente têm uma leitura e uma importância muito grande, porque são eles que botam a gente para frente, os sim acomodam as pessoas, mais os não, não. O não bota para lascar mesmo, ou você toma uma providência ou então você cai fora. A partir daí, Osvaldo foi para Brasília tentar regularizar a concessão de rádio junto ao Ministério das Comunicações. Procurou onde era o cadastramento das emissoras, e contou com a ajuda de uma funcionária que lhe mostrou um jornal antigo de 1946, uma portaria ministerial autorizando a rádio a funcionar, mais três denúncias e um contrato (esses eram os documentos relativos à Rádio Juazeiro Ltda). Através deste, descobriu quem eram os verdadeiros donos da rádio, Adys Casalino e Floriano Pinto da França, porém, não tinha como localizá-los, pois não possuía os endereços, só sabia que eram do Rio de Janeiro. Com nenhuma informação sobre onde eles moravam pegou o avião e foi para o Rio. Então, começou a busca até que, depois de 19 dias, conseguiu falar com os antigos donos da estação de rádio e através de um pagamento obteve essas assinaturas que proporcionaram a legalização da rádio. Vale salientar que a Rádio Juazeiro foi a primeira estação de rádio do estado da Bahia a conseguir renovação de licença. Em três de outubro de 1975, esta emissora ganha concorrência para a instalação de uma estação em onda tropical de 5 Kws. Em 2 de fevereiro de 1977, ganha outra concorrência, agora para uma Estação de Freqüência Modulada Stéreo. Mais tarde ganha o Canal de VHF e FM para reportagens externas. Até então o único na região. E em 10 de junho de 1978, inaugurou o seu Parque Irradiante com potente transmissor de 10 Kws (DIAS, 1982, p.51). De 1971, quando Osvaldo Benevides assumiu a rádio, até 1978, a potência da emissora evoluiu de 250 para 10 mil watts, o que resultou, naturalmente, em um aumento considerável da sua audiência. Osvaldo, hoje com 78 anos, permanece até os dias atuais como o diretor-presidente, e sua irmã, Margarida Benevides, que acompanhou todo o processo de legalização e desenvolvimento da rádio, é a atual gerente. Desde a mudança administrativa, a rádio funciona na Rua Aprígio Duarte Filho, orla de Juazeiro (BA). 3. Profissionais e programas Além dos irmãos que administram e apresentam programas, a empresa sempre foi celeiro de grandes profissionais da imprensa regional. Vale lembrar os nomes de alguns daqueles que fizeram parte da história da emissora, uma vez que muito da relação que a rádio tem com a comunidade se deve aos seus comunicadores. Marta Luz (ex-esposa de Osvaldo Benevides, com o fim do casamento, deu-se também, o fim da sociedade) apresentou, entre outros, o programa “Pagão”, este em parceria com Osvaldo, era de caráter educativo, onde os apresentadores traziam os estudantes secundaristas e/ou universitários para o debate sobre temas sociais em discussão. O programa, que ia ao ar aos domingos, fez bastante sucesso do fim da década de 1970 até ao inicio dos anos 90. Outro programa de bastante sucesso apresentado pela radialista foi o “E Nós Para Onde Vamos?”, onde Marta apresentava crônicas relacionadas a temas contemporâneos e com relevância social. Ronaldo Lopes, “O gatão”, apresentou um dos programas de maior sucesso da história da RJ, o “Discofilando”, programa de entretenimento que ia ao ar das 10h às 11h30. O gatão era figura conhecida pela maioria dos juazeirenses. Outro que merece destaque é o radialista José Raimundo Neves, o qual esteve à frente de vários programas pela emissora, mas um dos mais ouvidos foi o “Paradinha das 4”. Este ia ao ar todas as tardes com conteúdo basicamente musical. José Raimundo ficou conhecido como “O Tigrão do Som”. Esses programas fizeram sucesso entre as décadas de 1970 e 1990. Até a década de 1980, quando foi lançado o livro “História da Imprensa Juazeirense” , passaram pela rádio grandes nomes citados pelo autor do livro como: o noticiarista Elias Cruz, o operador Bráulio Pereira (esposo de Margarida, até hoje funcionário da rádio), os radialistas, Valmir Pires de Carvalho, Edmundo Rastelli e os cronistas Charles Alexandre e Lúcio Manoel. O jornalista e ex-presidente da Associação Baiana de Imprensa (ABI-Norte), Moacyr Alexandrino dos Santos, também tinha um programa na Rádio Juazeiro. Hoje a rádio é composta por uma equipe de jornalistas com um certo renome no cenário comunicativo da região e programas de muita audiência, a exemplo do “Sem Fronteiras”, apresentado atualmente por Ramos Filho, que tem a política local como tema. Destacam-se ainda, o polêmico Wiston Monteclaro, que apresenta o “Agente Policial 459”, Margarida Benevides que apresenta os programas “Quando nasce uma esperança” e “Viver melhor”, Hebert Mouze e Charles Gray com os programas “Toque de primeira” e “No Mundo do Esporte” e os repórteres Geraldo José, Jean Rêgo e Geraldo Messias. Muito dos profissionais da comunicação do Vale do São Francisco já passaram pela Rádio Juazeiro, a maioria mantém até hoje uma relação “familiar” com a empresa. Um dos profissionais com mais tempo dentro da casa, Geraldo Messias, começou sua carreira profissional aos 16 anos de idade na RJ, a partir de um curso EAD de Técnicas de Jornalismo com 12 meses de duração. Segundo Messias, na década de 1970, as escolas por correspondência eram livres para ministrarem cursos de jornalismo. Geraldo Messias foi o fundador da Delegacia Regional do Sindicato dos Radialistas. Conseguiu idealizar o primeiro curso de Radialismo com extensão universitária na região. Em sua trajetória, o criador do movimento cultural “Clube da Juventude”, programa radiofônico que ficou no ar durante 15 anos, e que descobriu vários talentos na música, na dança e no teatro, exerceu funções como discotecário, repórter esportivo, locutor entrevistador, locutor comercial, e permanece até hoje como funcionário da rádio sendo repórter da RJWebTV. A Rádio Juazeiro na WEB Em busca de novos públicos e com o objetivo de oferecer um novo suporte comunicacional a sua audiência, a partir de 2010, Osvaldo Benevides começou a investir no projeto da RJWebTV. O site transmite, via Internet, toda programação da Rádio, além de exibição de matérias em vídeo produzidas pela equipe composta por um cinegrafista, Valdeilton Carvalho, um editor de imagens, Willian Cruz, além dos radialistas Geraldo Messias, Charles Gray e Jean Rêgo, que também reportam notícias para a Web. A WebTV da Rádio Juazeiro não possui uma programação independente, uma das dificuldades é a falta de equipe e estúdios próprios, o que deixa o site limitado aos programas e matérias feitos para o rádio e que, conseqüentemente, são veiculados na web. Há dificuldades internas na rádio referente à equipe que trabalha para aceitar essa inovação, quem trabalha com rádio, para trabalhar com imagem tem que mudar postura, modo de falar. É um projeto que para concluir vai ser difícil, ele está sempre inovando de acordo com as novas tecnologias. Quando a gente acha que está perto de concluir, mais coisas novas vêm chegando, mais inovações, mais crescimento. (BENEVIDES, 2010) Apesar de manter a mesma programação, segundo Osvaldo, há diferença entre os públicos (rádio e web). O rádio, assim como em todo o país, atinge todas as classes sociais, mas a internet ainda não chegou a todos os brasileiros, devido a uma série de fatores culturais e econômicos. O público da WebTV tem que ter um computador e uma Internet rápida, então tem que ter um poder aquisitivo maior. A Rádio Juazeiro, devido a grande força que tem na região e graças a sua grande audiência, acaba pautando as discussões cotidianas entre os sanfranciscanos. Serviço público, denúncia e divulgação de projetos sóciais são uma das suas principais atividades, além da abertura de espaço ao ouvinte que participa atravéz de enquetes e comentários postados na home page. Em seu site na internet, a Rádio Juazeiro se autodenomina, Somos uma emissora de Rádio há 50 anos no mercado da comunicação acompanhando as mudanças, respeitando a verdade, defendendo a justiça e sempre trabalhando para uma sociedade melhor, progresso e desenvolvimento deste país. Nossa filosofia de trabalho pauta-se na modernidade. Somos uma emissora antenada com as tendências tecnológicas do mercado, e falamos ao mundo em vídeo e áudio através da WEBTV. Desenvolvemos um trabalho social para ajudar os mais necessitados e utilizando o poder da comunicação motivamos o ouvinte à prática da fraternidade. Nossa programação é eclética e ecumênica, sem fronteiras partidárias nem interesses escusos. Somos Rádio Juazeiro AM. Situada à Aprígio Duarte, Centro na cidade de Juazeiro. Ba. Considerações finais Neste artigo, relatamos parte da história da empresa jornalística Rádio Juazeiro, principalmente a partir da administração dos Benevides a partir do ano de 1971. A influência da rádio na comunidade sanfranciscana, suas dificuldades, a exemplo das ameaças de empastelamento por conta do Regime Militar, seus principais programas e respectivos apresentadores. A Rádio Juazeiro se consagrou como uma das empresas de comunicação mais importantes do território do Vale do São Francisco. Transmitida para os estados da Bahia, Pernambuco, Piauí e Sergipe, a emissora pode alcançar uma média de 8,5 milhões de pessoas, isso graças a relação que os novos e antigos comunicadores têm com seus ouvintes. Esse artigo proporciona um enriquecimento do conhecimento a respeito da imprensa juazeirense, porém ainda há muito que se estudar, pois a cada dia surgem novos dados e histórias que agregam informações importantes para a fundamental pesquisa sobre os meios de comunicações de Juazeiro. Referências: DIAS, Wilson. História da IMPRENSA JUAZEIRENSE. Juazeiro: Gráfica Santa Inez, 1982. SANTOS, Andréa Cristiana. Mapeamento histórico dos profissionais da imprensa de Juazeiro-Ba (1901-1999). Artigo apresentado no Congresso de Ciências da Comunicação (INTERCOM) Regional. Juazeiro, 2011. MOREIRA, Sônia Virginia. No ar, uma paixão nacional. Revista Nossa H, 2006. RADIO JUAZEIRO. Programação. Disponível em: . Acesso em: 13 ago. 2010. Fonte Oral Osvaldo Benevides, diretor-presidente da Rádio Juazeiro. Data: 18/06/2010. Geraldo Messias, radialista da rádio Juazeiro e repórter da RJWEBTV. Data: 16/08/2010

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